sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Desemprego
O desemprego caiu, mas subiu
Recife (PE) - O leitor olhe bem a imagem do gráfico acima. Existe alguma dúvida de que em 2013 o percentual do desemprego no Brasil tenha caído para o seu nível mais baixo? O leitor verá que essa pergunta não é assim tão estúpida. Podemos até acreditar que não há dúvida de que 12,4 é maior que 5,4. Ou que, no gráfico, o número 12,4 corresponda a 2003 na linha horizontal, assim como 5,4 a 2013. Para esse óbvio, haveria duvida? Há, porque na luta política os números sempre dizem outra coisa, até mesmo contra as provas.
Quando toda a mídia divulgou a notícia “IBGE: Desemprego é o menor da história” e continuou com a informação de que, em mais um ano de recorde de desemprego, a Pesquisa Mensal do Emprego do IBGE havia registrado em 2013 a menor taxa de desocupação do Brasil, houve, como é natural, a repercussão mais negativa nos focos de oposição ao governo Dilma. Mas como, o IBGE teria enlouquecido? E logo, logo, começaram a discutir os números. Acreditem, passaram a tentar uma penetração na alma da porcentagem. Aquela, que imaginamos existir na loucura que não aceita os fatos. Mas como alma dos números?
De imediato, reabilitaram a iluminação de um consultor da revista Exame, que em um inspirado dia de 2010 declarara que o Bolsa Família mascarava os números do desemprego no Brasil. "Para não perder a verba recebida, muitos preferem continuar sem trabalho. Isto os exclui da População Economicamente Ativa, e também dos números no cálculo do desemprego". Essas coisas uma pessoa tem que ler com os próprios olhos, esfregá-los, para acreditar no que viu. O que têm a ver Bolsa Família e População Economicamente Ativa? Pouco importa, à margem do bom senso e da conhecimento, que buscassem uma entrevista antes da pesquisa em 2014. Importam mais, no sentido de dar importância e de trazer de fora, importam mais a cegueira e a miopia, como nestes comentários de bárbaros na web:
“E os bolsa esmola, os que desistiram de procurar trabalho? Com quase 40% vivendo de favores do Estado com aposentadoria vitalícia, para que procurar emprego?
Porque os quase 14 milhões de Bolsa família não entram no índice? Teoricamente estão sem renda e sem emprego? ou são 14 milhões de fantasmas?”
A miopia ideológica estabelece relações entre fenômenos que não se relacionam, na procura da alma dos números. Ela não vê a multidão de jovens com idade de trabalhar, mas que não procuram de imediato um emprego, como um fenômeno social, recente. Em vez de investigar uma razão fora da alma dos números, preferem escrever, diria melhor, berrar, velhos preconceitos.
Assim, relacionam Bolsa Família e queda no desemprego. Como seria bom que pesquisassem antes e vissem as informações disponíveis no site da Caixa Econômica Federal. Lá se vê que somente as famílias em situação de extrema pobreza podem acumular o benefício Básico e o Variável, até o máximo de R$ 230,00 por mês. Isso é o suficiente para alguém viver e passar a curtir uma doce malandragem? Ou para usar o último assalto à razão, passar a fugir do número de desempregados no IBGE?
Parece que teremos sempre de refutar a mentira, a farsa do garçom de Jarbas Vasconcelos. Vocês lembram da lendária personagem (me refiro ao garçom). Segundo o senador Jarbas, numa entrevista à revista Veja, o empregado que lhe servia em um restaurante largara o emprego para viver no bem-bom do Bolsa Família. Sobre isso publiquei reportagem na Carta Capital e neste espaço Clique aqui
Apesar dos malandros do Bolsa Família, do garçom fantasma de Jarbas Vasconcelos e da alma dos números, atingimos em 2013 o menor nivel de desemprego de todos os tempos. Para essa queda, informou o jornalismo da Veja, aquele cheio de conjunções adversativas:
“Contudo, vale ressaltar que este resultado não engloba a nova metodologia que o instituto anunciou há duas semanas. Na Pesquisa Mensal do Emprego (PME), a amostra de dados abrange apenas seis regiões metropolitanas - Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Na nova, serão usados detalhes da nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), chamada pelos pesquisadores de "PNAD Contínua".
Ou seja, agora vão comparar pesquisas com índices e métodos diferentes. As feitas antes com as novas, que chegarão a resultados discordantes. Pode? Pode, daí que também podemos concluir: o Brasil é o maior país da América Latina, mas, porém, contudo, todavia tem uma oposição que desrespeita até os números”.
Urariano
(Direto da Redação)
Dominó
Além da Copa do Mundo, Brasil sediará Mundial de dominó em 2014
Segundo presidente da Confederação Brasileira de Dominó, qualquer pessoa está apta a participar da competição: 'Pode ser barrigudinho, mais velho'
O Brasil vive uma fase de grande importância no calendário do esporte mundial. O país receberá nos próximos anos a Copa das Confederações, Copa do Mundo, Copa América e as Olimpíadas, entre outros eventos. Mas em 2014, não será apenas a principal competição do futebol que chegará por aqui. O Campeonato Mundial de dominó também acontecerá em nossas terras.
Pode parecer piada, mas aquele jogo que é sucesso nas pracinhas de todo o país é um esporte e muito sério, segundo seus praticantes, que gostam de ser considerados atletas.
Logo do Campeonato Mundial de Dominó em Brasília (Foto: Reprodução/TV Globo)
Brasil vai receber a Copa do Mundo de Futebol e de Dominó em 2014. (Foto: Reprodução/TV Globo)
- Para dominó não precisa ter preparo físico, pode ser barrigudinho, pode ser mais velho. O dominó você pode ver que em qualquer praça do Brasil é muito popular – disse Ronaldo Aguiar, presidente da Confederação Brasileira de Dominó.
O Brasil ainda não é uma potência na modalidade. No último mundial, disputado na Costa Rica, Celso Aguiar, de 55 anos conseguiu a melhor colocação, o 36º lugar.
Fonte: Site Globo Esporte. Com
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Espionagem
NSA, GCHQ mapeiam “alinhamento político” de usuários de celulares
[*] Eric London, WSWS (World Socialist Web Site)
“NSA, GCHQ mapping “political alignment” of cellphone users”
Traduzido por João Aroldo
Edward Snowden
Nova informação tornada pública por Edward Snowden revela que os governos dos Estados Unidos e Reino Unido estão capturando dados de aplicativos (apps) celulares para acumular dossiês sobre os “alinhamentos políticos” de milhões de usuários de smartphones em todo o mundo.
De acordo com um documento interno da GCHQ (Government Communications Headquarters) – Reino Unido - de 2012, a Agência de Segurança Nacional (NSA) e GCHQ estão acumulando e armazenando centenas de milhões de “cookies” de usuários — os rastros digitais deixados em um celular ou computador cada vez que um usuário visita um site — a fim de acumular informações pessoais detalhadas sobre as vidas privadas dos usuários.
Isso confirma que o principal objetivo dos programas não é proteger a população contra o “terrorismo”, mas facilitar a repressão estatal da oposição da classe trabalhadora à crescente desigualdade social e contrarrevolução social. Os programas não visam principalmente “terroristas”, mas os trabalhadores, intelectuais e estudantes.
A coleta de dados referentes ao “alinhamento político” dos usuários de celulares também sugere que os governos dos EUA e do Reino Unido estão mantendo listas daqueles cujos “alinhamentos políticos” são motivo de preocupação para o governo. Revelações anteriores demonstraram como a NSA e a GCHQ “marcam” alguns “suspeitos” para vigilância adicional: a revelação mais recente indica que os suspeitos são “marcados” pelo menos em parte, com base em seu “alinhamento político”.
A justificativa legal por trás deste processo aponta para um crescente movimento para criminalizar o pensamento político nos EUA e no Reino Unido.
Se, como as revelações indicam, determinar o “alinhamento político” de um usuário é o principal objetivo deste programa, então isso também é, provavalmente, um fator para determinar se o governo tem uma “suspeita razoável articulada” de que o usuário é um “suspeito de terrorismo”. Se este for o caso, os sites que um usuário visita pode elevar o nível de suspeita do governo de que o usuário está envolvido em atividade criminosa, e pode, assim, fornecer ao governo o pretexto pseudolegal necessário para desbloquear o conteúdo de todos os seus telefonemas, e-mails, mensagens de texto, etc..
Constituição dos EUA
Tal raciocínio equivaleria a uma violação flagrante tanto da Primeira como da Quarta Emenda da Constituição dos Estados Unidos. Não só a Quarta Emenda protege contra “buscas e apreensões”, mas a Primeira Emenda também proíbe o governo de monitorar indivíduos com base em suas crenças políticas. A eliminação de um direito democrático tão fundamental seria um passo perigoso para a imposição de uma ditadura de estado policial.
O novo relatório também detalha a profundidade da operação de espionagem de aplicativos de celulares.
Um teste de análise de 2009 “força bruta” realizada pela NSA e GCHQ do que o New York Times descreve como “uma pequena porção de suas bases de dados de celular” revelou que, em um mês, a NSA recolheu dados de celulares de 8.615.650 usuários de celulares. Os dados do teste da GCHQ revelou que em três meses os britânicos haviam espionado 24.760.289 usuários. Expandindo para um ano inteiro, esse dado mostra que em 2009, a NSA recolheu dados de mais de 103 milhões de usuários, enquanto a GCHQ colheu dados de mais de 99 milhões usuários: e isto vem de apenas uma “pequena porção” de dados de um mês!
Eles são coletados em volume, e são atualmente nosso maior tipo de evento - diz um documento vazado.
O programa — chamado em um documento da NSA de “Golden Nugget!”—também permite que os governos recebam um registro de uso do aplicativo Google Maps dos usuários. Essa informação permite que as agências de inteligência rastreiem o paradeiro exato de vítimas de vigilância em todo o mundo. Um gráfico de uma apresentação de slides interna do NSA pergunta: “Onde o meu alvo estava quando eles fizeram isso?” e “Aonde o meu alvo está indo?”.
Entrada do edifício-sede da NSA em Fort Meade, Maryland
Um relatório da NSA de 2007 se gabava de que tantos geodados poderiam ser coletados que as agências de inteligência “seriam capazes de clonar o banco de dados do Google” de todas as buscas feitas através do Google Maps.
Isso efetivamente significa que qualquer pessoa usando o Google Maps em um smartphone está trabalhando em prol de um sistema GCHQ - observou um relatório GCHQ 2008.
A apresentação adicional de material vazado por Snowden mostra que em 2010 a NSA explicou que o seu “cenário perfeito” era “visar o upload de fotos para um site de mídia social feito com um celular”. O mesmo slide pergunta: “O que podemos conseguir?”. A resposta, de acordo com a mesma apresentação, inclui as fotografias do usuário, listas de amigos, e-mails, contatos telefônicos, e “uma série de outros dados de redes sociais, assim como a localização”.
As agências também usam informações fornecidas por aplicativos móveis para ter uma imagem clara da localização da vítima atual, orientação sexual, estado civil, renda, etnia, nível de escolaridade e número de filhos.
A GCHQ tem um sistema de nome de código interno para a classificar sua capacidade de espionar um usuário de celular específico. Os códigos são baseados na série de televisão “Os Smurfs”. Se as agências podem acessar o microfone do telefone para ouvir conversas, o código “Smurf Xereta” é empregado. Se as agências podem rastrear a localização exata do usuário enquanto ele ou ela se move, o código “Smurf Rastreador” é usado. A capacidade de rastrear um telefone que está desligado é chamado de “Smurf Sonhador”, e a capacidade de esconder o software espião é chamado de “Smurf Paranoico”.
Que as agências de inteligência têm códigos de um programa de vigilância orwelliana descaradamente tirados de personagens de um programa infantil é um indicador do desprezo com que a classe dominante vê os direitos democráticos da população mundial.
Além disso, as agências têm rastreado e armazenado dados de uma série de aplicativos de jogo de celular, incluindo o popular jogo “Angry Birds”, que foi baixado mais de 1,7 bilhões de vezes.
O rastreamento de dados de jogos online como “Angry Birds” revela ainda que estes programas não se destinam a proteger a população contra o “terrorismo”. Seria indefensável para a NSA e GCHQ explicar que eles suspeitavam recolher informações sobre ameças iminentes da Al Qaeda de um estúpido jogo de celular.
No entanto, esta é precisamente a forma como a NSA tentou justificar esses programas.
As comunicações de pessoas que não são alvos válidos de inteligência estrangeira não são de interesse para a Agência de Segurança Nacional. Qualquer implicação de que a coleta de inteligência estrangeira da NSA está focada nas comunicações diárias de smartphones ou mídia social de americanos não é verdadeira. Além disso, a NSA não traça perfis diários de americanos, enquanto desenvolve sua missão de inteligência sobre estrangeiros - disse um porta-voz da agência.
Em uma indicação adicional de seu caráter antidemocrático, o governo dos EUA está, portanto, empregando a técnica do “Big Lie”, negando o que acaba de ser provado.
Na realidade, as revelações expuseram ainda mais o discurso do presidente Barack Obama de 17 de janeiro como uma celebração de mentiras.
O presidente disse à nação que os programas de espionagem “não envolvem a NSA examinando os registros telefônicos dos americanos comuns”. Ele também disse que os EUA “não está abusando de autoridade para ouvir as suas chamadas telefônicas privadas ou ler seus e-mails”, e que “os Estados Unidos não está espionando as pessoas comuns que não ameaçam a nossa segurança nacional”.
Ele acrescentou, em referência ao “pessoal” da NSA que “nada que eu aprendi [sobre os programas] indicou que a nossa comunidade de inteligência tem procurado violar a lei ou é inconveniente com as liberdades civis de seus concidadãos”.
Mas há evidências crescentes de que os governos dos EUA e Reino Unido estão compilando informações sobre os “alinhamentos políticos” de centenas de milhões em todo o mundo. Todos os responsáveis por essa campanha antidemocrática, incluindo o presidente Barack Obama, David Cameron, seus assessores, e os líderes dos aparelhos de segurança devem enfrentar processos criminais e a perda imediata do cargo.
___________________
[*] Eric London é editorialista e articulista do Workers Socialist Web Site
(Redecastor)
Escritos
James Scott - The Kept (Como se perder na vida tentando achá-la)
publicado em literatura por Julian Bargueño
A busca pela vida é quase sempre um caminho pela morte, ou uma viagem de mãos dadas com ela. Justamente o que mais buscamos é o que perderemos. Justamente o que mais queremos é o que não temos.
Não se assuste, mas The Kept é uma obra que tem o poder de praticamente apavorar (no bom e no mau sentido) seus leitores. As cenas iniciais do romance mostram a mãe de família Elspeth chegando em casa, em meio à neve, e encontrando seus filhos e seu marido mortos a tiros por desconhecidos que fugiram. Um dos filhos de Elspeth, Caleb, porém, por viver na cabana ao lado da casa e não junto à família, foi poupado do massacre. Mas apavorado como estava, ao ver sua mãe chegando, atira com sua espingarda tentando matá-la ao confundi-la com um dos três assassinos que fugiram. Caleb então passa a cuidar da saúde da mãe, e um tempo depois ambos saem em busca dos assassinos procurando vingança.
Assim, Caleb e Elspeth terminam em uma cidadezinha chamada Watersbridge, na qual quase tudo do faroeste está presente: bordéis com menores de idade, assassinatos impunes, a lei que passa despercebida de acordo com a influência dos moradores mais poderosos e mais temidos. O panorama da história parece ser o fim do século XIX ou início do século XX, uma vez que o transporte é feito a cavalos, as guerras a espingardas e a lei é a do mais corajoso.
Para não prejudicar a busca pelos assassinos, Elspeth se faz passar por um homem e adota o nome do ex-marido, Jonah (com o qual nunca pôde ter filhos, o que a levou a roubar crianças de outras famílias – Caleb, portanto, tampouco era filho legítimo de Elspeth).
Uma das características mais impressionantes do enredo do livro é que quem de fato tenta vingar a morte da família é Caleb, e não a mãe. Caleb é apenas um menino de 12 anos, mas em muitos momentos temos a sensação estar frente a um adulto que tem um plano bem delineado sobre como acabar com os assassinos. Elspeth se comporta mais como uma protetora, que observa Caleb de perto e tenta garantir que o menino não se machuque demasiadamente ou morra em uma situação tão tensa como ambos vivem em Watersbridge.
Grande parte do enredo se desenrola à medida que Elspeth se esforça para se passar por homem e ajudar o filho, e o leitor se pergunta o motivo pelo qual a violência de fato existe ou existiu neste romance.
James Scott, em The Kept, chega a ser de uma aridez na linguagem de descrição dos personagens que torna a leitura uma tarefa árdua. O autor foi comparado a Cormac McCarthy devido a algumas características, e de fato há algumas semelhanças. Mas McCarthy é bastante mais econômico nas palavras e joga muito mais com o silêncio como voz ativa, o que facilita a participação do leitor como contribuinte para a formação da obra. James Scott, ao menos neste livro, abre as portas com uma grande explosão de expectativa e mais tarde transforma a leitura em uma luta para aqueles que não estão acostumados a se degladiar com a literatura.
As primeiras páginas de The Kept prometem um livro que não é oferecido ao leitor mais à frente. Há todo um entusiasmo e uma paisagem que fazem com que o leitor tenha a sensação de que o ritmo do livro será frenético e emocionante. Mas, muito rapidamente a narrativa corre para o lado contrário e se transforma em fatos lentos, detalhistas e descritivos. Talvez não fosse o começo, o contraste não seria tão radical. Mas este definitivamente não é um livro para os que gostam de ler uma boa história, apaixonar-se pelos personagens e lembrar-se de um grande enredo. The Kept é literatura para literários, para aqueles que têm o prazer de fazer da literatura por si só o ponto principal da leitura, e apenas em segundo lugar os fatos e o enredo narrados. Arrisco dizer que muitos leitores se entediarão uma vez que a obra se transforma, logo no início. Não há que confundir e afirmar que a obra é de baixa qualidade. Longe disso. Apenas não parece ser para muitos leitores. E isso não é necessariamente uma crítica, mas sim uma característica.
Julian Bargueño não sabe se sabe se definir muito bem, mas sabe outras coisas, como por exemplo: é músico desde os 4 anos, adora ler (mais do que escrever), adora dormir, é mestre em teoria literária e pretende fazer mais coisas antes de morrer.
Saiba como escrever na obvious.
Cuba
Chefe da ONU elogia médicos de Cuba e afirma que país pode ensinar ao mundo como cuidar da saúde
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Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, visita a Escola Latino-americana de Medicina, em Havana, Cuba. Foto: ONU/Mark Garten
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que os médicos cubanos têm salvado muitas vidas em diversos países em desenvolvimento e que podem ensinar ao mundo como cuidar da saúde.
Ban destacou os “resultados excelentes” da atenção primária à saúde, base da medicina cubana que tem reduzido a mortalidade infantil, aumentado a expectativa de vida e oferecido cobertura universal.
Ao visitar a Escola Latino-americana de Medicina (ELAM), em Havana, na terça-feira (28), o secretário-geral da ONU disse que tem visto com os “próprios olhos” que os médicos cubanos ou formados em Cuba são “operadores de milagres”. Segundo Ban, além de recuperar a visão de milhões de pessoas, compartilharam a visão de um mundo de “generosidade, solidariedade e cidadania global”.
O secretário-geral acrescentou que os médicos cubanos, por meio de uma longa história de cooperação Sul-Sul, estão presentes em comunidades remotas e difíceis, “nos bons e maus momentos – antes de catástrofes… ao longo das crises… e muito tempo depois de as tempestades passarem”. De acordo com Ban, eles têm sido fundamentais na redução do número de casos de cólera no Haiti.
(Solidários)
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Internet e TVs abertas
Internet e o pânico das tevês abertas
Por Altamiro Borges
O jornalista João da Paz, do sítio “Notícias da TV”, publicou nesta semana uma informação que deve causar pânico nos donos das emissoras de televisão no Brasil. Segundo revela, a Suprema Corte dos EUA julgará em abril um processo aberto pelas quatro maiores tevês do país (ABC, NBC, Fox e CBS) contra a Aereo, uma pequena empresa que criou uma nova maneira de assistir televisão. “O que a Aereo faz é pegar os sinais abertos dessas quatro emissoras com uma pequena antena moderna e retransmiti-los pela internet, dando ao telespectador a oportunidade de assistir a esses canais no computador, em tablets e em smartphones, com a opção de gravar e pausar programas. Tudo em alta definição”.
O novo serviço tende a promover uma hecatombe na forma de assistir tevê. O internauta faz a assinatura mensal no valor de US$ 8 (R$ 19,20) e tem a possibilidade de gravar um programa por vez, até o limite de 20 horas de armazenamento. Até o momento, os serviços da Aereo já estão disponíveis em 26 cidades do país, incluindo Nova York, Boston, Washington, Filadélfia e Dallas. Em outubro, o Wall Street Journal informou que somente em Nova Iorque já seriam de 90 mil a 135 mil assinantes. Diante do risco da acentuada queda de audiência e de recursos publicitários, as poderosas corporações alegam que a Aereo rouba o sinal e infringe direitos autorais.
Na titânica batalha jurídica em curso, a inovadora empresa até agora tem levado a melhor. Segundo informa João da Paz, “a Suprema Corte vai dar continuidade ao caso julgado na Segunda Corte de Apelação de Nova York, em abril de 2013, cujo resultado foi favorável à Aereo. Os juízes de Nova York entenderam que o serviço prestado pela empresa é legal. O criador e diretor-executivo da Aereo, Chet Kanojia, de 43 anos, disse em comunicado após essa decisão que ‘esperamos apresentar nosso argumento na Suprema Corte, certos de que o mérito do caso irá prevalecer’”.
A empresa conta com um trunfo nesta batalha. O magnata da comunicação Barry Diller, ex-diretor da Paramount e da Fox, decidiu apostar no negócio inovador. Ele hoje comanda a empresa de internet InterActive Corporation e tem uma fortuna calculada em US$ 2,8 bilhões. “Diller é um dos principais investidores da Aereo. Neste mês, mesmo em meio a esse tumulto, ele conseguiu atrair US$ 34 milhões para financiar a expansão da empresa. ‘Passamos por três julgamentos em 2013 e em todos eles as Cortes Distritais decidiram que o nosso negócio é perfeitamente legal’... Ele calcula que o Aereo poderia ter entre 10 milhões e 20 milhões de assinantes se pudesse operar amplamente, sem restrições”.
A batalha, porém, será prolongada e sangrenta. “As quatro emissoras agem agressivamente contra Aereo. A CBS é bem enfática sobre o assunto e se posicionou de forma direta em comunicado. ‘Nós acreditamos que o modelo de negócios da Aereo é alicerçado em roubo de conteúdo’, diz a emissora de maior audiência dos EUA. A Fox se mostrou mais radical, ameaçando ir para a TV por assinatura se a Aereo vencer na Suprema Corte. Quem também comprou a briga das emissoras, e adotou um tom tão agressivo quanto, foram as ligas esportivas NFL (futebol americano) e MLB (beisebol). Ambas têm acordos bilionários com os canais abertos e divulgaram nota afirmando que a vitória da Aereo vai prejudicar os negócios”.
As quatro redes inclusive já trabalham com um plano B para a hipótese da Aereo vencer a batalha jurídica. Elas planejam mudar a forma como emitem seus sinais, com o objetivo de impedir que as antenas da Aereo os captem. “Outro problema para os canais abertos, se derrotados na Suprema Corte, será lidar com as operadoras de TV por assinatura, que pagam preços altos para ter NBC, ABC, Fox e CBS em seus pacotes. A decisão judicial a favor da Aereo pode mudar esse tipo de negócio”. O clima é de guerra nas tevês abertas dos EUA.
A inovação da Aereo, mais um fruto da revolução informacional promovida pela internet, coloca em perigo o modelo de negócios das poderosas redes que exploram as concessões públicas de televisão. Caso vingue nos EUA, a experiência rapidamente deverá se espalhar pelo mundo – atingindo, também, o Brasil. Desta forma, mais uma vez a internet ameaçará o império da TV Globo e outras emissoras da tevê aberta!
*****
Violência Policial
Bruno. 18 anos. Gay. Espancado até morrer, em São Paulo
Ontem, no centro da cidade, mais um caso de violência contra homossexuais. Não, desta vez não foi suicídio
Por Patrícia Cornils | Imagem: Fernando Botero
Ele tinha 18 anos. Acabou o Ensino Médio no ano passado. Fez curso técnico, de administração. Faz duas semanas começou a trabalhar no consultório de uma dentista. Ela ficou impressionada com a inteligência do rapaz. Maria me contava sempre, falava das notas dele. Eram muito boas. Tinha passado no vestibular da Unip, queria ser arquiteto. E a mãe não entendia direito, porque “ninguém lá na vizinhança nunca quis ser arquiteto”. Ele precisava trabalhar porque Maria não ia dar conta de pagar a faculdade sozinha. Maria trabalha em minha casa, uma vez por semana, há mais de dez anos. Ela não é somente mãe do Bruno — eram amigos, se falavam três, quatro vezes por dia no celular. Faz um ou dois anos, me disse: “Pati, Bruno me contou que é gay”. “E você, Maria?” “Amo meu filho. Só tenho medo que ele sofra alguma violência.” Ontem [sábado], meia-noite, Bruno e amigos foram beber na Augusta. Cinco e meia da manhã, na Rua Herculano de Freitas, ele e três amigos foram abordados por seis ou sete pessoas. Gritaram que era assalto. Os dois amigos correram. Bruno não. Pegaram o celular dele (velho), tiraram os tênis dele (All Star, igualmente velhos). E bateram no Bruno. Na cabeça do Bruno. Até matá-lo. IML: “Traumatismo encéfalo craniano. Instrumento contundente”. Boletim de Ocorrência 737/2014, 78o. DP: “Roubo. Artigo 157. Parágrafo 3o. se da violência resulta morte”
(Outras paavras)
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