segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Espinho no Dedo

Quem lê este blogue lê tb o seu filhote':
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Sosa

Mercedes Sosa: “Revoluções são feitas nas consciências de todos”


Fotos com líderes políticos e artistas, imagens inéditas de seu dia a dia e até relatos sobre uma bomba desativada antes de uma apresentação fazem parte da mostra organizada em Buenos Aires sobre a trajetória da cantora argentina Mercedes Sosa, "a voz da América Latina".

A exposição "Mercedes Sosa. Um povo em minha voz", aberta na sexta-feira (2) na Casa Nacional do Bicentenário, também recria o estúdio musical com seu tradicional bumbo, um piano que conservava em sua casa e letras de canções com anotações pessoais.
Também são exibidos discos de ouro e platina da "Negra" Sosa, alguns de seus ponchos, marca do seu estilo, retratos a óleo da cantora pintados por artistas como Antonio Berni e fotografias tiradas pela alemã Annemarie Heinrich, além de desenhos e mensagens de diversas personalidades.
"A mostra gira em torno do show que fez no Olympia de Paris em 1979, durante seu exílio na capital francesa; o que protagonizou no Teatro Opera de Buenos Aires, em 1982, como símbolo de seu retorno; e o do Lincoln Center, em Nova York, que representou sua consagração nas grandes salas", explicou à Agência Efe o curador da exposição, Álvaro Rufiner.

O ciclo é fechado com fotos, vídeos e detalhes dos shows que a cantora fez em 2001 em um povoado de 400 habitantes da província de Jujuy.

Também há destaque para os cartazes sobre suas apresentações em Brasil, Japão, Alemanha, França, México e Estados Unidos, entre eles um do final dos anos 50 em sua província natal, Tucumán, em que se apresenta sob o pseudônimo Gladys Osorio "para que seu pai não soubesse", disse Rufiner.

Entre os documentos do recital no Teatro Opera de Buenos Aires em 1982, um ano antes do fim da ditadura militar, está o escrito pelo chefe de segurança da época, revelando detalhes sobre a desativação de uma bomba na sala momentos antes do show.

Como parte do arquivo pessoal da artista, que faleceu em 2009, há condecorações recebidas em diversos países, além de fotografias em que aparece cantando para sua neta dormir e outras em que toma banho em um rio e dança folclore.

"Obrigado, Mercedes. Aquela que cantou para a vida permanece nos quatro cantos da nossa América", disse o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva em uma das mensagens de políticos e artistas que são exibidas na mostra.

A exposição também oferece um olhar sobre o compromisso político de Sosa, que dizia que "as revoluções são feitas na consciência de todos, e não com armas de poucos".

Fonte: Folha

Pensamentando

De Hitchcock a Aquino, a arte do voyeurismo


Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios. Li esse livro de nome comprido durante uma tarde de férias em 2006. Chovia e eu nem via. Do jeito que eu li, supus ao virar a última página, Marçal Aquino escreveu o livro, num fôlego só.

Por Christiane Marcondes*



Camila Pitanga no filme "Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios"
A paixão apressadíssima de Lavínia e Cauby não admite escala para reflexões, exige um mergulho de corpo e alma na trama que explora com preciosismo cada ato, personagem e contexto.

Desde o início eu pressenti, depois compreendi que o próprio título delatava, o final tão ruim quanto as notícias e ao mesmo tempo tão belo quanto os lábios de Lavínia. A perfeita alquimia dessa composição é que livra o romance do lugar-comum. Afinal, triângulo amoroso de um fotógrafo e uma ex-prostituta casada com pastor evangélico parece receita de bolo que sempre dá certo porque não se atreve. Longe disso, a narrativa consegue surpreender dentro do que acenava com previsibilidade. E consegue entranhar um amor maior sem pegar atalho para pieguice ou fantasia.

De verdade, li o texto há muito tempo e com tanta sede fui ao pote que não tenho os detalhes na memória. É uma experiência diferente, como resenhista, escrever depois que o tempo passou, mas digo que é boa, porque o tempo decanta.

Sei que todos os tipos são marginais, de um jeito ou outro, e fadados à solidão. Solidão no sentido mais amplo, esse que é o da própria existência, nascimento e morte. Olhando sob outro aspecto, Lavínia se fará acompanhar eternamente por Cauby. Ou Cauby acompanhará eternamente Lavínia. Não é fácil identificar quem busca quem para apertar suficientemente o nó do relacionamento, que jamais desata. E essa confidência de modo algum estraga o suspense da primeira à última linha.

A história se passa em uma terra de ninguém, na lembrança e no presente de Cauby. Todos os personagens secundários apropriam-se de uma relevância que não lhes pode ser tirada, à custa de sacrificar todo o ardil de Aquino. Uma coisa que deixei para o fim: a obra esbanja sensualidade. Barata no que tudo o que é sensual tem de comum, mas luxuosíssima na literatura de Marçal.

Agora, finalmente, a obra foi à telona e dizem -- outra falha minha, realmente não me preparei para esse texto, não vi o filme ainda – que a Camila Pitanga é a Lavínia incorporada. Beto Brant dirige.

O cinema não é casualidade na carreira do autor, mas vocação, outra. O trabalho de Aquino na área inclui a roteirização de textos de sua autoria, como “Os matadores” (1997), “Ação entre amigos” (1998) e “O invasor” (2001), além do desenvolvimento de roteiros originais: Nina (2004). Em parceria com Beto Brant e Renato Ciasca, roteirizou “Cão sem dono”, baseado no livro de Daniel Galera: Até o dia em que o cão morreu (Livros do mal, 2003). E com Berto Brant e Marco Ricca fez Crime delicado (2005). Seu trabalho mais recente no cinema é o premiado Cheiro do ralo, em parceria com Heitor Dhalia.

*do Vermelho

Maias

.Cientistas desvendam profecia maia do 'fim do mundo em 2012'
Alberto Nájar

Da BBC Mundo no México

Atualizado em 1 de dezembro, 2011 - 10:16 (Brasília) 12:16 GMT
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Para especialistas, maias não previram o fim do mundo
Arqueólogos de diversos países se reuniram no Estado de Chiapas, uma área repleta de ruínas maias no sul do México, para discutir a teoria apocalíptica de que essa antiga civilização previra o fim do mundo em 2012.

A teoria, amplamente conhecida no país e contada aos visitantes tanto no México como na Guatemala, Belize e outras áreas onde os maias também se estabeleceram, teve sua origem no monumento nº 6 do sítio arqueológico de Tortuguero e em um ladrilho com hieróglifos localizado em Comalcalco, ambos centros cerimoniais em Tabasco, no sudeste do país.

Notícias relacionadasPastor diz agora que outubro é apenas o início do fim do mundo
Assistir01:35Fiéis tentam compreender ausência de 'fim do mundo'Espanhóis criam bunkers para se proteger do 'fim do mundo'Tópicos relacionadosHistória, América Latina, Ciência e TecnologiaO primeiro faz alusão a um evento místico que ocorreria no dia 21 de dezembro de 2012, durante o solstício do inverno, quando Bahlam Ajaw, um antigo governante do lugar, se encontra com Bolon Yokte´, um dos deuses que, na mitologia maia, participaram do início da era atual.

Até então, as mensagens gravadas em "estelas" – monumentos líticos, feitos em um único bloco de pedra, contendo inscrições sobre a história e a mitologia maias – eram interpretadas como uma profecia maia sobre o fim do mundo.

Entretanto, segundo o Instituto Nacional de Antropologia e História (Inah), uma revisão das estelas pré-hispânicas indica que, na verdade, nessa data de dezembro do ano que vem os maias esperavam simplesmente o regresso de Bolon Yokte´.

"(Os maias) nunca disseram que haveria uma grande tragédia ou o fim do mundo em 2012", disse à BBC o pesquisador Rodrigo Liendo, do Instituto de Pesquisas Antropológicas da Universidade Autônoma do México (Unam).

"Essa visão apocalíptica é algo que nos caracteriza, ocidentais. Não é uma filosofia dos maias."

Novas interpretaçõesDurante o encontro realizado em Palenque, que abriga uma das mais impressionantes ruínas maias de toda a região, o pesquisador Sven Gronemeyer, da Universidade australiana de Trobe, e sua colega Bárbara Macleod fizeram uma nova interpretação do 6º monumento de Tortuguero.

Para eles, os hieróglifos inscritos na estela se referem à culminação dos 13 baktunes, os ciclos com que os maias mediam o tempo. Cada um deles era composto por 400 anos.

"A medição do tempo dos maias era muito completa", explica Gronemeyer. "Eles faziam referência a eventos no futuro e no passado, e há datas que são projetadas para centenas, milhares de anos no futuro", afirma.


Castellanos: profecias apocalípticas revelam mais sobre nós que sobre maias
Para a jornalista Laura Castellanos, autora do livro 2012, Las Profecias del Fin del Mundo, o sucesso da teoria apocalíptica junto à cultura ocidental se deve a uma "onda milenarista" que, segundo ela, "antecipa catástrofes ou outros acontecimentos cada vez que se completam dez séculos".

Para Castellanos, esse tipo de efeméride é reforçada por uma "crise ideológica, religiosa e social".

Ela observa que as profecias sobre 2012 não têm somente uma "vertente catastrófica", mas também uma linha que "prognostica o despertar da consciência e o renascimento de uma nova humanidade, mais equitativa".

Crença no final
A asséptica explicação científica e histórica vai de encontro à crença popular no México, um país onde há quem procure adquirir os conhecimentos necessários para sobreviver com seu próprio cultivo de alimentos em caso de uma catástrofe mundial.

Muitos dos que vivem fora procuram regressar ao país porque sentem que precisam estar em casa em 2012, e há empresas que oferecem espaço em bunkeres subterrâneos, com todas as comodidades.

Afinal, o possível fim do mundo também é negócio. O próprio governo mexicano lançou uma campanha para promover o turismo no sudeste do país, onde estão localizados os sítios arqueológicos maias.

Muitos governos dos Estados onde existem ruínas da antiga civilização maia já estão registrando aumento na chegada de turistas.
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(BBC)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Espinho no Dedo

Quem este blogue lê tb seu pai, o Esp. no Dedo I
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Brasil

O Brasil anda bem na contramão
“Enquanto a Europa e os Estados Unidos tentam matar a crise com o mesmo veneno neoliberal com que a criaram, o Brasil aplica um receituário oposto”

30/11/2011 07:00
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Walter Pinheiro
Nos anos 1980, a chamada década perdida, enquanto na Inglaterra a primeira-ministra Margaret Thatcher operava a chamada “desregulamentação da economia”, varrendo do mapa suas empresas estatais, o Brasil reagia ao desmonte do Estado para manter a Petrobrás e a Telebrás e investir nos seus centros de pesquisa.

Esses centros de pesquisas, como o CPqD, em Campinas, permitiram que o país instalasse um parque industrial de ponta, com financiamento, produção, estímulo com ênfase no desenvolvimento científico-tecnológico. Na contramão daquele período histórico, eles foram decisivos para alargarmos o caminho da inovação.

Em meio à maior crise do mundo ocidental desde a Segunda Grande Guerra, estamos hoje mais uma vez na contramão dos ensinamentos e das ações dos dirigentes das maiores economias do mundo. E novamente com receita própria, vamos escapando do nevoeiro e conduzindo nosso barco a um porto seguro.

Enquanto a Europa e os Estados Unidos tentam matar a crise que os consome com o mesmo veneno neoliberal com que a criaram, com medidas fiscais restritivas que conduzem à estagnação econômica e ao desemprego, o Brasil aplica um receituário oposto, que privilegia o crescimento econômico e a geração de empregos.

É por isso que estamos passando ao largo da crise, desde que ela se instalou nos Estados Unidos, em 2008, com a questão do subprime que levou à quebra do Lehman Brothers, até ela se espalhar pela Zona do Euro expondo a fragilidade fiscal de grandes economias cegamente guiadas pelas leis do mercado.

Essa condução segura da economia brasileira foi novamente reconhecida pelos principais fiscais das economias das nações, as agências que avaliam o risco soberano dos países. Pela terceira vez este ano, agora por meio da Standard & Poor’s, o Brasil teve sua nota de crédito aumentada de BBB – (menos) para BBB.

De olho fixo no terremoto que está abalando as economias da Europa e dos Estados Unidos, e de certa forma com receio dos seus efeitos no Brasil, não estamos percebendo a importância dessa distinção da nossa economia pelas agências que acompanham com lupa o desempenho da economia internacional.

Depois da Fitch e da Moody’s, as primeiras agências de risco a reconhecerem a capacidade da economia brasileira de saldar seus compromissos, a Standard & Poor’s certifica que o Brasil é um país seguro para investimentos e diz que o aumento da nota reflete as políticas econômicas adotadas pelo Governo Dilma.

E como a confirmar essa assertiva, esta semana, na Bahia, a Basf, grande empresa alemã do ramo petroquímico, anunciou R$ 1,2 bilhão de investimento na planta do chamado pólo acrílico, para produzir uma matéria-prima a ser muito utilizada pela Braskem, uma das maiores empresas do ramo químico do mundo.

Ao confiar esse volume de investimentos no Brasil, no momento em que as maiores economias do mundo se dissolvem no ar, a Basf demonstra seu reconhecimento pelos acertos da nossa política econômica. E é por isso que as agências de classificação de risco se rendem a mais esse momento da economia brasileira.

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Sobre o autor

Walter Pinheiro

* Senador pelo PT da Bahia, eleito em 2010 e empossado em fevereiro de 2011, foi deputado federal por quatro legislaturas consecutivas, vereador em Salvador e presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Telecomunicações.

Outros textos do colunista Walter Pinheiro.
.(Congressoemfoco)

Maconha

Para a saúde, é melhor fumar maconha!
Escrito por Mário Maestri
Quarta, 30 de Novembro de 2011


Foi o que eu ouvi, assustado, de olhos esbugalhados, da boca do meu ex-sogro, o inesquecível doutor Garibaldi Machado, em sua residência, em Santo Ângelo, creio que em inícios de 1970. Naquele então, eu estudava História na UFRGS, envolvido na política acadêmica e extra-acadêmica, cada vez mais reprimida pelo governo militar.



Após a refeição, comentávamos notícia dada pela grande imprensa sobre a pretensa descoberta em residência universitária, não sei se do Rio de Janeiro ou São Paulo, de “farto material subversivo”, “revistas pornográficas” e “trouxinhas de maconha”. A mensagem jornalística era direta – os estudantes, além de “subversivos”, liam pornografia e eram “maconheiros”. Pior, não podiam ser!



Para a classe média de minha geração, jamais se pusera a questão de consumir ou não maconha, vista como coisa de favelado e marginal, para não dizer mais. Apenas com a guerra do Vietnã e com “Easy Rider”, daquele mesmo ano, o velho baseado conheceria indiscutível promoção social entre a juventude nacional, sobretudo nos longos e pesados anos da paz policial que se impôs sobre a sociedade brasileira. Não fumávamos maconha, mas bebíamos nos finais de semana, sem qualquer reparo pelos mais velhos, quantidades impressionantes do péssimo whisky, rum, gim, cerveja então à nossa disposição.



Momentos antes, sob o silêncio atento do doutor Garibaldi, começamos a discutir acaloradamente sobre o direito ou não ao consumo da maconha, contra o qual me levantei, peremptório. Um militante não podia e não devia baixar a guarda e se expor às provocações policiais e militares – propus creio que com plena razão. E para completar minha arrasadora argumentação, fui mais longe. Lembrei o enorme mal que fazia para a saúde o consumo daquela droga.



No momento preciso em que abandonava triunfante a palavra e acendia com prazer mais um cigarro, sentado diante de mim, no outro extremo da mesa, o doutor Garibaldi abandonou seu silêncio reflexivo para bagunçar literalmente meu coreto e registrar certamente uma preocupação que era sua.



– Maestri, se é questão de saúde, te recomendo fumar maconha e deixar o cigarro! Bem para a saúde, certamente não faz, mas até hoje, em toda minha prática médica, jamais atendi alguém com problema causado pela maconha. Quanto ao cigarro, se quiseres, vamos agora até a enfermaria do hospital, onde diversos pacientes meus estão para morrer, devido ao cigarro.



E para me espezinhar ainda mais, o doutor Garibaldi concluiu: – Tenho um pobre paciente que enfia agora o cigarro no orifício da traqueotomia, sem conseguir abandonar o vício que o levará a morte em algumas semanas. Uma imagem terrível que me acompanha nesses já mais de quarenta anos, e me ajudou, bastante, a deixar de fumar, alguns anos mais tarde, após enormes sacrifícios! Não me lembro se respondi ao pesado argumento, ou mudei de assunto, o que é bem mais possível.



Médico do interior extremamente conceituado, com amplas leituras e reflexões em ciências sociais, filosofia, literatura e direito, o velho, bom e solidário doutor Garibaldi primava por essas tiradas inusitadas, agudas e certeiras, pouco preocupadas com convenções e modismos.



Certamente se estivéssemos outra vez sentados naquela mesa, comentando as hipócritas justificativas da grande mídia e das autoridades públicas e universitárias sobre a invasão do campus da USP pela polícia militar, devido aos parcos baseados encontrados com três estudantes, certamente o saudoso doutor Garibaldi diria sem retenção: – Já que vão fazer essas violências com os meninos, deixem os baseados e retirem as carteiras de cigarro deles. Elas sim, matam!



E concluiria, dialeticamente: – Mas o cigarro é um enorme negócio...



Mário Maestri, 63, é historiador e professor do Curso e do Programa de Pós-Graduação em História da UPF. E-mail: maestri(0)via-rs.net

(Correio da Cidadania)